23 janeiro 2013
Cold Case Cap.1
1º Capítulo
05/07/2009 - 13h40min
Departamento de Polícia da Filadélfia.
- Posso ajudar? - Uma mulher loira de terno escuro, bem cortado, perguntou a um rapaz encostado no balcão de entrada da delegacia, com uma grande caixa, onde se apoiava com o cotovelo.
- É aqui que vocês reabrem casos antigos? - ele perguntou, dirigindo sua atenção a um homem negro e grande que apareceu atrás da mulher.
- É sim. Eu sou a detetive Lilly Rush e este é o detetive Will Jeffries – ela disse, mostrando o homem atrás dela, que agora se integrou ao assunto.
- Micael Blanco - ele estendeu a mão e eles apertaram num cumprimento.
- O que tem aí para a gente? - o detetive disse olhando diretamente para a caixa.
- Vinte anos atrás, uma menina chamada Lua Blanco foi morta dois meses antes de completar 18 anos, com três tiros no peito depois de um show em que cantou, e nunca acharam o culpado, nem a arma. Essa menina é minha irmã, e desde a morte dela minha família nunca mais sorriu. Mês passado meu pai faleceu, e só semana passada minha mãe teve coragem de limpar a casa em que morávamos na época do crime. Meu pai era um detetive aposentado e dedicou o resto de sua a tentando achar o assassino de minha irmã, mas nunca conseguiu chegar a lugar nenhum. Semana passada eu encontrei isso. - E então abriu a caixa, revelando milhões de papéis, pastas, fotos, coisas que o pai reunira na busca pelo assassino. - Todas as anotações do meu pai.
- Certo, e o que você quer que façamos? - ela falou, olhando uma foto com um grupo grande de amigos.
- Eu quero o maldito que matou da minha irmã preso. Quero a paz da alma dela. O policial da época fez tão pouco caso da morte dela... - Seus olhos se encheram de lágrimas. – Desculpem-me.
- Não tem problema. - Ela pegou a foto e apontou. - Qual delas é ela?
- Esta aqui. - Ele indicou uma menina loira, sorridente ao lado de outra morena de óculos e dele. - Este sou eu. - Indicou o rapaz ao lado da vítima. - Estas eram as melhores amigas dela. - Colocou o dedo na menina que estava no andar de baixo da escada, com um sorriso igualmente largo ao de todos e a de óculos. Eles estavam todos sujos de tinta, rindo. A casa era bonita, tinha uma entrada branca de janelas azuis e uma varanda grande. Tinha também mais quatro rapazes na foto, igualmente sujos e igualmente felizes.
- Nós estávamos pintando um mural para um trabalho da escola. - Olhando para a foto, com os olhos marejados, ele sorriu, como se uma lembrança boa lhe pegara de surpresa, como se depois de anos ele pudesse lembrar-se daquela cena como se tivesse sido ontem.
- Você está disposto a depor? - ela perguntou. Will, atrás, anotava tudo em um bloquinho.
- Sim. Tudo pela minha irmã.
- Flashback -
25/05/1989
- Anda, Lua, a gente tem que terminar isso para sexta, hoje já é quarta! - disse Sophia, agachada com os dedos todos sujos de tinta, pintando um pedaço do céu.
- Calma, cara, só vou aumentar o volume. Adoro essa música - disse a menina, aumentando o volume e dançando junto.
- Cara, não sei o que você tanto vê graça em Michael Jackson! - Sophia disse, rindo. A menina começava a imitar o cantor dançando, ela usava um short jeans surrado e sua blusa favorita, cheia de estrelas.
- Vem logo! - Thur deu uma pincelada no ar, sujando Lua da barriga até o rosto. Ela ficou parada de boca aberta, como quem está inconformada. Todos estavam rindo muito, Lua foi atrás de Thur com um pincel na mão, e, na tentativa de sujá-lo, sujou Melanie. Assim, começou a guerra de tinta. Correram em volta da casa, todos eles cada vez mais sujos. Ao chegar ao jardim da frente, Lua tropeçou e caiu em cima de Thur. Eles ficaram se olhando por um momento até que ouviram risadas e uma pessoa falando: ‘Cara, vocês estão tão engraçados! Vem cá, eu vou tirar uma foto!’. Era a mãe de Lua e Micael.
- MONTINHO! - E sentiram uma montanha em cima deles. Um flash.
- Crianças, sentem ali na escada, vamos tirar uma foto decente agora. - Dito isto, todos os adolescentes se sentaram na escada, todos sujos e sorridentes. Mais um flash.
- End Flashback -
- Então, conte-me sua história. - Lilly disse pegando outra foto dentro da caixa. Eles estavam em uma sala de interrogatório, com uma grande janela espelhada e paredes forradas.
- Eu sou um ano mais novo do que ela. Nascemos no Brasil, mas nos mudamos para Boston quando eu tinha quatro anos. Lu tinha cinco. – Ele, então, pegou uma foto - Estes eram nossos vizinhos: Maker, Sophia, Arthur, Bernardo, Melanie e Chay. Nós ficamos amigos assim que nos conhecemos.
- Você ainda mantém contato com eles? – Ele, então, fechou a mão.
- Não. Principalmente com Arthur. - Sua expressão fechou. - Foi ele quem matou minha irmã.
- Como você pode ter tanta certeza? - ela olhou nos olhos dele por um momento, e o olhar estava pesado, ele guardava um rancor enorme dentro dele.
- Porque ele tinha o motivo. - Sua voz estava embargada e seus olhos se encheram de lágrimas, lágrimas de raiva. - Minha irmã sempre foi apaixonada por ele. Desde que nós nos conhecemos, ele foi o primeiro amor dela. Mas ele nunca deu bola, e dez anos depois ela se cansou, então eu a apresentei a um amigo meu que era louco por ela. E eles namoraram. Vendo que tinha perdido a atenção da minha irmã, Thur começou a perder o controle da vida dele. Passou a beber muito, só fazer merda, e, com o álcool, ficou violento... Passou a fazer qualquer coisa para chamar a atenção da minha irmã, porque ele sabia que, como melhor amiga, ela não iria deixá-lo sozinho. Duas semanas antes da morte, ele se declarou para ela. Mandou-a terminar com o namoro e tudo o mais, mal se falaram durante esse tempo, mas ela prometeu que iria pensar numa resposta. Uma semana depois ela cantou num bar lá perto de casa, o Jack’s. - E tirou um caderninho de dentro da caixa. - E cantou essa música.
- Flashback -
06/07/1989
- Senhoras e Senhores, é com um grande prazer que hoje, aqui no Jack’s, vamos ter uma cantora da área. Todos a conhecem, todos a adoram, e hoje vão curtir mais ainda sua linda voz. Palmas, por favor, para a nossa brasileirinha, Lua! - E ela entrou no palco. Ela vestia uma calça jeans surrada com uma blusa vermelha aberta nas costas. O aquecedor estava ligado, mas ela sentia seus pelos da nuca arrepiar. Estava nervosa. Posicionou-se em frente ao microfone e ajeitou o violão. Olhou para a platéia, o bar estava cheio, podia ver seus pais no fundo, e na primeira mesa, bem em frente a ela, seus amigos. Na mesa ao lado, o namorado com os amigos dele. Eles insistiram tanto para ela tocar... Seus olhos se cruzaram com os de Thur e ela sentiu náuseas. Por que ele sempre fazia isso com ela? Olhou então para Pedro. Não... Nada. Só Thur a fazia se sentir como se fosse se atirar de um penhasco e ainda rir disso. Concentrou-se, então, para lembrar a letra da música. Era agora ou nunca.
- Espero que gostem. - Foi tudo o que disse.
Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
‘Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar.
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia...
E não adianta nem me procurar,
Em outros timbres, outros risos.
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu...
Olhou para Thur, e ele estava com os olhos arregalados, sem ação. Todos os demais estavam calados. Como assim a garota perfeita cantando uma música triste? Sentiu que ia chorar, mas tinha que acabar essa música primeiro.
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura.
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu...
Olhou novamente para Thur, e ele estava chorando. As únicas pessoas que entenderam, além de Thur, foram seus amigos. Mak batia no ombro deThur, que olhava para o pé. Ele não conseguia olhar para Lua. Lua olhou para o fundo, para seus pais. Seu pai não entendeu, mas sua mãe estava com um olhar carinhoso, como quem esperava para consolar alguém. Faltava a última estrofe.
Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar...
Acabou. Sentiu as lágrimas rolarem, fez uma rápida reverência e saiu pela coxia.
- Bem, isso foi... Interessante. Mas vocês viram que boa voz ela tem? - O apresentador voltou a falar. Sophia e Melanie subiram pelo palco e seguiram para a coxia em que Lua havia entrado.
- Lu? - Sophia chamou. A menina estava num canto, chorando desesperada.
- Ele ficou muito mal? - Foi só o que ela perguntou.
- Você queria o quê? - Melanie falou seca, e Sophia lhe deu uma cotovelada. - Outch! Olha, amiga, não me leva a mal, eu adorei a música, acho que você tinha que ter dito isso mesmo, já tava na hora de por um basta. Mas não podia simplesmente conversar com ele? O que você fez foi despejar dez anos de amor não correspondido misturado com o atual ressentimento dele só decidir se declarar agora em três minutos. - E fez-se uma pausa. - Você queria que ele reagisse como?
- Eu não sei. - Ela levantou a cabeça. - Eu não queria magoá-lo. Mas ele queria uma resposta. Tá aí.
- Você tem certeza, amiga? - Sophia perguntou. Lua pareceu parar para se convencer.
- Tenho. - Foi quando ouviram passos.
- x -
- Thur, você está bem? - Mak perguntou cauteloso. Desde que eles se desentenderam ninguém sabia qual era a reação de Thur para nada. Tinham medo de dar um ‘bom dia’ e ele responder torto.
- Não sei. - Ele olhava na direção do pé, mas não via nada. Sua vista estava embaçada demais, molhada demais para ver qualquer coisa. - Ela escolheu o Pedro.
- Thur, você já devia ter isso em mente. - Pentéls falou, tentando medir palavras. - Desde os cinco anos que ela é sua melhor amiga, e desde então ela era apaixonada por você, e você nunca deu bola. - Os olhos de Thur se encheram mais. - Agora que ela conseguiu ficar com mais alguém, você tem que entender que ela não iria te aceitar de mão beijada cara. Dez anos são MUITA coisa!
- Eu sei, cara... Mas eu tinha uma esperança - ele falou fraco. - Será que eu devo falar com ela? - Ele olhou para Micael, como quem pedisse permissão.
- Dá um tempo, Thur. Ela saiu do palco tão abalada quanto você. As meninas foram lá falar com ela, quando elas saírem, você vai.
- x -
Lua pediu um tempo sozinha e assim as meninas fizeram. Encontraram os meninos no bar.
- Thur, eu não vou deixar você ir atrás da minha irmã bêbado. Você sabe que o álcool não tem te feito bem - Micael falou tirando a segunda garrafa de cerveja da mão de Thur. Ele não negou. Faria qualquer coisa pra tentar reconquistar Lua. As meninas se sentaram em bancos ao lado de Bê ePentéls. O clima estava pesado.
- Eu já posso ir? - Thur perguntou, olhando para as meninas.
- Ela pediu um tempo... - Sophia disse. - Mas acho que ela não precisa saber que você sabia disso. - E piscou. Thur então se levantou e rumou até a coxia. Minutos depois, ouviu-se um barulho alto de tiro, quatro disparos. Todos se assustaram e correram para o lugar de onde os disparos vieram: da coxia. Ao chegar, a cena que se via era uma Lua apagada, com o corpo mole, no colo de um Thur ensanguentado. Sophia sentiu os joelhos fracos e de repente tudo se apagou.
27/07/89
Era um dia triste. Um dia cinza, chuvoso, o verde da grama não era mais verde, os pássaros pararam de cantar, a cor que predominava era o preto. Em volta de um caixão, duas meninas, quatro meninos. Faltava alguém. Alguém que, depois de duas semanas desaparecido, acabara de chegar.
- O que você está fazendo aqui? - Um irmão enfurecido teve de ser segurado por dois braços. - Você não é bem vindo aqui! Por sua causa ela se foi! Eu vou acabar com você! Me solta, Pentéls! - Grito de desespero, de raiva, de dor, de uma alma que nunca mais vai conseguir viver um dia sem a lembrança de que algo está faltando.
Thur nada dizia, apenas chorava, olhando todos os seus amigos que o olhavam com um olhar acusador. Nenhum deles acreditava nele. Olhou para o caixão. De repente sentiu um vento quente.
- Micael, calma! Para com isso! - Pentéls então sentiu algo estranho, sentiu um arrepio na espinha ao sentir um vento quente, que lhe deu forças para segurar Micael.
Micael, por sua vez, respirou fundo. Por alguma razão, aquele vento quente lhe lembrou do abraço de sua irmã, o abraço quente, acolhedor. Ele então apenas olhou para Thur, e as lágrimas rolaram mais, como se nunca fossem parar.
- End Flashback -
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nosa q tragico mais ta muito bom
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