2º Capítulo 07/07/2009 - 13h12 min
- Boa tarde. Posso ajudá-los? - Uma mulher de aparentes 30 anos, cabelos castanhos e compridos abriu a porta.
- Sophia Abrahão? - Uma mulher morena baixa, com um homem grande e branquelo bateram na sua porta.
- Sim? - Uma expressão de dúvida tomou conta do rosto da mulher.
- Somos os detetives Kat Miller e Nick Vera, e gostaríamos de perguntar sobre o assassinato de Lua Blanco, que aconteceu há 20 anos. - A mulher, então, abaixou os olhos. Sua expressão de dúvida passou para uma tristeza profunda.
- Eu não estou pronta... - A mulher sussurrou.
- Desculpe-me, não ouvi.
- Eu disse que não estou pronta. Não quero lembrar sobre isso. Foram os piores anos da minha vida. - As lágrimas, então, começaram a cair. Ela virou a cabeça para o pé e sentiu uma mão em seu ombro, olhou em frente e viu a detetive abrir um sorriso solidário.
- Estamos aqui para lhe ouvir, não para lhe acusar. Nós apenas queremos resolver uma injustiça.
- x -
Sentados à mesa da cozinha, ouviram alguém entrar em casa.
- Coé, imunda, eu trouxe pizza para a gente... - Uma mulher da mesma idade, de óculos e cabelos morenos e curtos parou na porta com a caixa da pizza na mão. A mesma expressão de dúvida tomou conta do rosto da mulher ao ver sua amiga chorando, com duas pessoas com distintivos na mesa da cozinha. - O que é isso? - Sua voz quase não saiu.
- Eles reabriram o caso da Lu. - E a caixa de pizza foi ao chão. Por algum motivo, esse foi o caso mais traumático da vida daquelas pessoas.
- Como assim reabriram? Descobriram qual foi a arma do crime? - Ela puxou uma cadeira, ignorando a pizza no chão, e se sentou ao lado de Sophia.Arthur fora absolvido por falta de provas que o julgasse culpado, como, por exemplo, a arma do crime que nunca fora encontrada.
- Não me leve a mal, mas é um caso sigiloso. Não podemos falar de nada na sua frente, a não ser que você esteja envolvida na história. - Kat falou, enquanto as três observavam Nick pegar a pizza e trazer para a mesa.
- Ah, desculpe-me. Sou Melanie Fronckowiak. Uma das amigas dela que estava com ela na noite do assassinato. - Ela estendeu a mão. - Acho que isso facilita o seu trabalho. - E abriu um meio sorriso.
- Ah sim, muito. - Nick falou, abocanhando uma pizza. - Vocês não fazem idéia do quão difícil é achar pessoas nesse mundo grande.
- Vocês mantém contato com Arthur Aguiar? - Ela, então, tirou um gravador e deixou em cima da mesa.
- Então foi o Thur mesmo? - Sophia abaixou os olhos.
- Não sabemos ainda. Precisamos dos depoimentos de todos para tirarmos qualquer conclusão - disse Kat. - Contem-me o que houve com eles antes do show.
- Flashback -
22/06/1989
- Ai, gente, eu não sei...
- Vai, Lu! Você tem que cantar aqui! - Sophia falou, empolgada. - Sua voz é linda! Você precisa cantar pelo menos uma vez, para você ver se gosta. Se gostar, você entra para essa vida de fama, se não gostar, você volta ao seu sonho original de ser professora. O que você tem a perder? - Lua sorriu fraco.
- Eu não sei... - Ela andava murcha esses dias, ninguém sabia o porquê.
- Lu, amiga, o que houve? - Melanie perguntou, chegando mais perto das amigas. - Você não dá uma gargalhada faz quase um mês! - Pausa. - Não, eu não contei. Só chutei. - E riram.
- Ai, amiga... Eu não sei. Eu tô preocupada. - Ela mexeu com o canudo a sua bebida. - Eu ando insegura. Insegura com meu namoro, insegura comigo... Parece que algo ruim vai acontecer.
- Ai, Lua, vira essa boca pra lá! - Melanie disse, dando três batidas na mesa. - Mas como assim insegura com o namoro? O Pedro é louco por você!
- Mas eu não sou louca por ele - ela falou simplesmente. Momento de silêncio. - Thur me beijou. - Ela deu uma golada na bebida. Os olhos das duas amigas se arregalaram.
- COMO ASSIM? Ele te beijou tipo... Do NADA? Simplesmente te pegou e te beijou? - Melanie fez um escândalo e Lua se encolheu na cadeira.
- Dá para fazer MENOS escândalo, Melanie? - E Sophia colocou as duas mãos na boca de Melanie.
- Fala, amiga, com detalhes. - Ambas a olhavam com atenção. No rosto, um misto de surpresa com alegria. Todos sempre quiseram que esses dois finalmente vissem que são feitos um para o outro. Ele era escandaloso e ela era discreta. Ela gostava de dançar e ele de tocar, ela cuidava dele e ele cuidava dela, ela o amava... E agora ele a amava.
- Foi assim:
- Sabe no sábado passado que meu irmão e meus pais estavam na casa dos meus avós, nós sete saímos, e o Thur foi me deixar em casa? Então... Nós chegamos em casa e ficamos conversando um pouco do lado de fora, até que esfriou. Eu o convidei para entrar, tiramos os sapatos e fui para a cozinha preparar um chocolate quente pra nós dois, como eu sempre fazia.
- Lu...
- Oi, Thur - ela continuava a olhar dentro dos armários. Ele estava escorado na porta da cozinha branca e simples da menina. Thur tinha as mãos nos bolsos e tentava não olhar para a garota.
- Fala. - Ela o olhou e ele fitou seus olhos enquanto pigarreava.
- Nós somos amigos há quanto tempo? Dez anos? - Ele puxou uma cadeira e ela voltou a preparar o chocolate quente.
- É, por aí... Dez, onze... Por quê?
- Nada. Eu estava pensando... Você é feliz? - Ela o olhou com uma cara estranha.
- Se eu sou feliz? Como assim, Thur? Feliz com a nossa amizade?
- É... Com a nossa amizade, com o seu namoro... - Lua imaginou aonde aquilo poderia parar, mas tentou tirar aquela idéia da cabeça. Era passado.
- Aonde você quer chegar, Thur? - Ela perguntou seca, de costas para ele. Um silêncio se instalou e ela estranhou. Ela queria ouvir a resposta mais do que qualquer outra coisa, queria ouvir que ele a amava, mas tinha medo de isso acontecer. Mas não ouviu. Não ouviu nada. Thur não disse nada. Apenas sentiu duas mãos em sua cintura a virando, e, então, sentiu os lábios de Thur juntos aos seus. Não o afastou. Não conseguiu. Tudo o que conseguiu foi abrir a boca para dar continuidade ao beijo. Ela tinha as mãos apoiadas na pia da cozinha, e ele ainda estava com as mãos em sua cintura, a beijava com uma delicadeza como se ela fosse de porcelana. Lua jurou ter ouvido o barulho de sinos, sentiu o céu-da-boca formigar com o beijo, e, de repente, a xícara que estava na sua mão caiu no chão, se quebrando e os assustando. Separaram-se em um pulo e ficaram se olhando. Ele ia abrir a boca para falar algo quando ela falou:
- Acho melhor você ir para casa. - Ela estava vermelha, se sentia envergonhada, e, ao mesmo tempo, irritada. Como ele ousa depois de dez anos vir beijá-la? Logo agora que ela conseguiu namorar outro rapaz?
- Não quero... - Ele falou e ela o olhou com os olhos embargados.
- Dez anos, Thur. - Os olhares se encontraram. - Eu estava ali por dez anos. Você nunca percebeu. Disse que eu era amiga demais para pensar em outra coisa. Não é justo. - Ela se abraçou e olhou para o chão.
- Desculpe-me pela demora... Mas agora eu tô aqui. - Ele se aproximou e segurou os ombros da menina. - Agora eu tô aqui para o que der e vier. - Ela se soltou dos braços dele e andou, pisando num caco de vidro, furando o pé. Ela cambaleou, mas ignorou a dor, precisava falar aquilo que estava na garganta tinha dez anos.
- Não, Thur. Agora já é tarde. E o Pedro? Ele é meu namorado. O que eu acabei de fazer, é uma coisa extremamente injusta com ele... - Ela tentava se manter firme nos dois pés, mas a dor do caco de vidro cravado na sola do seu pé era maior. Ela, então, tentou se equilibrar em um pé, mas preferiu se sentar. - Agora já é tarde demais, Thur.
- A gente tem que ver isso, Lu, se não tirar pode infeccionar. - Ele olhava para o corte no pé dela. - Quer que eu tire o caco de vidro?
- Não muda de assunto. Você não pode simplesmente chegar e me beijar e esquecer que eu tenho vida. Eu tenho meu orgulho, eu tenho meu namorado.
- Olha, Lu, me desculpa. Mesmo. Eu não esperava que acontecesse assim, mas acontece, entende? A gente não escolhe. Me dá uma chance, por favor! Eu não sei mais o que fazer, tudo o que eu sei é que eu te amo. Por favor, me dá uma chance. - Ela olhou para o canto da parede e deixou as lágrimas caírem. Eram lágrimas de dor. Dor do corte no pé, que agora começava realmente a doer, e de dor no coração, de uma ferida recém cicatrizada aberta novamente.
- Eu vou pensar - ela falou olhando para a parede. Thur, então, subiu as escadas correndo e pegou uma pinça no armário do banheiro. Voltou para a cozinha e pegou o pé da menina. Encontrou o caco de vidro e a menina gemeu de dor. Saiu. Fez um curativo e ela levantou.
- Obrigada. - Ela sorriu fraco. Abraçaram-se. Thur juntou os lábios novamente e, novamente, Lua não teve forças para recuar. Nem para continuar. Ficaram ali, parados, com os lábios grudados e nada mais. - Sério. Você precisa ir.
- Tá bom, gente, fala alguma coisa! - Sophia e Melanie olhavam para Lua com as bocas abertas e os olhos arregalados.
- Eu não acredito. - Melanie foi a primeira a sair do transe. - Mas, amiga... O que você vai fazer? - Sophia perguntou atônita.
- Eu não sei... - Ela falou olhando para o pé.
- O que você vai responder para ele? - Foi a vez de Melanie perguntar.
- Eu não sei... - Ela continuava olhando para o pé.
- End Flashback -
- Nossa. - Kat terminava algumas anotações. - O irmão dela sabe disso? Ele não falou nada disso no depoimento. Falou da paixão dela, mas não sobre o beijo.
- Ele não sabe. Nenhum dos meninos sabe. Só nós duas. Nem sei se Thur sabe que nós sabemos. - Melanie disse, pegando um pedaço da pizza, que, até então, só Nick havia comido.
- Vocês conseguiram encontrar o Thur? - Sophia perguntou, depois de minutos de reflexão. - Ninguém nunca mais o viu depois do enterro. Ele simplesmente desapareceu. Eu não acredito que possa ter sido ele. Ele era apaixonado demais para fazer qualquer coisa com a Lu. - Ela parecia falar sozinha, não se importando em olhar para ninguém. - Eu quero ouvir da boca dele o que aconteceu.
- Há tempos que eu não vejo os meninos - Melanie emendou. - Desde o enterro, cada um ficou no seu canto. Micael ficou enfurnado dentro de casa, chorando e ajudando o pai a tentar solucionar o crime. Pedro não apareceu nem no enterro, imagina depois. Os meninos tentaram continuar com a banda, mas sem o Thur não deu. Nós duas fomos as únicas que continuamos na cidade. - Kat anotou mais alguma coisa em seu bloquinho, e percorreu o olhar em toda a extensão da cozinha e, em uma cômoda ao canto, havia uma foto de Lua, sorrindo, com duas velas em forma de estrela acesas, ao lado uma miniatura da estatua da liberdade, um pote de um cassino de Las Vegas com uma bandeira do Brasil dentro. Parecia um altar improvisado, e Melanie respondeu:
- O sonho da vida dela era viajar. Nós falávamos que quando tivéssemos idade para viajar sozinhas, iríamos para Las Vegas, para NY, e visitar a terra natal dela. - Ela olhava para a foto com carinho. - Então nós decidimos realizar os sonhos
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PS: não vai dar pra postar nem medo de amar e nem mais que amigos porque eu passei o dia escrevendo a web de luar day e não deu tempo de escrever as outras okay? bejus da nandah

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