26 janeiro 2013

Cold Case Caps. 4 e 5






4º Capítulo15/07/2009 - 13h31min
- Você é Jack? - Lilly perguntou para um homem que estava abrindo o bar.
- Não, Jack era meu pai. Ele faleceu há uns 5 meses. - O rapaz as olhava intrigado. - Posso ajudá-las?
- Pode. Eu sou a detetive Lilly Rush, e esta é minha parceira, a detetive Katherine Miller. - Mostraram os distintivos. - Estamos investigando o caso da morte da menina Lua Blanco, que foi morta a tiros na coxia deste palco.
- Ah, o caso da menina Lu. - Ele falou, pegando um copo e limpando-o com um pano. - Eu estava trabalhando para meu pai nesse dia, vi tudo o que aconteceu do bar. O garoto encheu a cara, estava desesperado.
- E Thur aparentou estar armado, ou planejando alguma coisa? - Kat perguntou, ligando um gravador e o colocando no balcão.
- Thur é o amigo, certo? Não, eu tô falando do namorado dela. Ele estava entornando, parecia perturbado. Mas eu não vi ninguém que desse a entender que fosse matar alguém.
- Mas você o viu portando uma arma? Ou qualquer outro?
- Não. Nós achavamos que era um bairro tranquilo, que não era preciso revistar as pessoas antes de entrar. - Ele colocou o copo no lugar e arqueou as sobrancelhas em sinal de falta de ânimo. - Depois desse incidente o bar perdeu a clientela. Muita gente deixou de vir para cá, porque dizem que é assombrado. Disseram que a alma da menina vaga por aqui. Mas é tudo mentira. Nunca mais aconteceu nada, mas, mesmo assim, lendas urbanas assustam o pessoal. Apesar da mãe dizer que continua vendo a garota.
- A mãe?
- Sim, ela diz ter visto a filha com o tal garoto que disseram que a matou. - Ele deu de ombros. - Eu sei lá se é verdade, mas se a menina apareceu para esse garoto, e não o fez nenhum mal, talvez isso queira dizer que não foi ele. - Ele fez uma pausa para pensar. - Ou então que foi ele e ela estava dizendo que o perdoava. Eu não sei, não entendo essa coisa de fantasma ou sei lá. Só sei que a mãe dela a viu. E começaram a dizer que a velha estava louca.
- Você tem o endereço dela?

-x-
- Senhora Patrícia? - Kat perguntou, mostrando o distintivo.
- Sim? - Uma senhora baixa e um pouco gordinha abriu a porta. Ela tinha os olhos fundos e escuros, como se tivesse chorado por muitos anos.
- Eu sou a detetive Katherine Miller, e esta é a detetive Lilly Rush. Nós estamos investigando sobre o assassinato de sua filha, Lua Blanco. O irmão dela reabriu o caso alegando ter novas evidências.
- Ele ainda está tentando provar que Arthur era culpado? - Ela balançou a cabeça como que se já estivesse esperando por aquilo. - Entrem, eu vou lhes fazer um café. - Ela abriu a porta da casa branca, com janelas verdes, a mesma que era o fundo da foto que Micael trouxe para Lilly. Entraram, a casa era simples, mas bem decorada, tinha um ar acolhedor. Sentaram-se na mesa da cozinha.
- Então, o que precisam saber? - Patrícia entregou uma xícara para cada uma e se sentou, esperando o café passar.
- Você sabia que sua filha havia visto Thur algumas semanas antes do acidente?
- Sabia. Ela me contou tudo. Aliás, eu que a incentivei a ficar com Pedro.
- A senhora sabia também que o IML descobriu que ela não era mais virgem?
- Sabia. E esse foi um dos motivos de eu ter falado para ela ficar com Pedro. - Ela olhou para a xícara vazia e pareceu pensar. - Foi na primeira vez em que Thur achou estar certo de que a amava. Disse que ela era a mulher da vida dele. Minha filha, boba e apaixonada, se deixou levar. De certa forma eu não me importei. Eu sempre soube que eles foram feitos um para o outro. Mas ele a magoou muito. Depois daquela noite, ele agiu como se nada tivesse acontecido e voltou para a ex namorada. Ela ficou arrasada. Foi aí que Micael passou a ter raiva de Thur. Ele ficou sabendo, aliás, todos ficaram sabendo do incidente, e, de fato, foi muita falta de consideração da parte dele. Depois daí, demorou um pouco para a ferida sarar. Foi aí que Micael arranjou esse Pedro. Nunca fui muito com a cara dele, mas ele parecia fazer bem para Lu, então...
- Então, porque você a incentivou a ficar com ele, se você não gostava dele?
- Olha, eu sempre fui religiosa, e sempre achei que Deus escreve certo com linhas tortas. Eu achei que, se ela fosse atrás de Thur, ele não iria aprender nada. Poderia fazer a mesma coisa que fez da primeira vez. Se ela ficasse com Pedro, Thur ia aprender que não era só estalar os dedos e ela vinha. E além do mais, se ela e Thur estivessem predestinados um ao outro do jeito que eu imaginava, então não importa se ela se casasse comPedro, mas na frente, no futuro, os destinos iriam se encontrar novamente. - Ela se levantou e foi pegar o café, que havia passado. Ela pegou as xícaras e colocou o café. - Açúcar ou adoçante?
- Açúcar. - Ambas falaram em uníssono e se entreolharam. Patrícia colocou o pote de açúcar no meio da mesa para que elas se servissem.
- Ouvimos que a senhora ainda vê a sua filha. Isso é verdade? - Ela parou e deu uma risadinha irônica.
- Provavelmente estão me achando louca, não é? Depois que ela se foi, eu tentei entender o porquê disso. Às vezes Deus tinha um plano maior para ela. Ela sempre foi super protetora com as pessoas que a amam, principalmente Thur. Então eu imaginei que, aqui na Terra, ela não estava conseguindo protegê-lo. Às vezes Deus estava precisando de uma ajudinha, e precisava dela lá em cima, para protegê-lo.
- Mas ele é o principal suspeito do assassinato dela. Como Deus pode pedir para ela proteger o próprio assassino?
- Eu não sei. - Ela deu de ombros. - Eu não estou a par dos planos de Deus, só estou falando o que eu vi.
- O que você viu?
- Não me leve a mal, eu sei o que eu vi, não estou ficando louca. Uma semana antes de Thur se mudar, acho que dois dias depois dele ter sido inocentado, eu fui visitar o túmulo da minha filha. E, de longe, eu o vi, junto com ela. Ela estava de branco, ele encostava a cabeça no ombro dela e ela mexia no cabelo dele, como sempre fazia quando ele estava precisando de ajuda. Quando me viram, ele se levantou e saiu. Ela ficou me olhando, sorrindo, até desaparecer por completo. - Ela olhava para o café e sentiu uma lágrima correr. Um vento quente entrou pela janela e ela olhou através dela. - Eu sempre sinto a presença dela. Acho que ela vigia a todos nós. - Disse, com o olhar perdido na direção da jánela, como se falasse para Lua, ou para si mesma. - Fico querendo saber como ela deve estar lidando com isso tudo.
- Isso tudo o quê?
- O que aconteceu depois. Cada um foi para um lado, a vida dos meninos, principalmente a de Thur, saiu dos eixos. Micael não se conformou com nada disso, Pentéls, Bê e Mak não se falam mais, eles costumavam ser super amigos, mas ninguém se falou mais de então. - Ela respirou fundo e deu outra golada no seu café.


5º Capítulo18/07/2009
- Então, o senhor era amigo da menina? - Scotty perguntou a um rapaz de estatura mediana, com cabelos escuros e porte fraco.
- Sim, eu era amigo dos dois, eu estava lá naquele dia. - Ele estava sentado e Scotty andava de um lado para outro na sala de interrogatórios.
- Você viu o que aconteceu? - O rapaz respirou fundo e relatou o acontecido.

- Flashback -
06/07/1989
- Eu já posso ir? - Thur perguntou, olhando para as meninas.
- Ela pediu um tempo... - Melanie disse. - Mas acho que ela não precisa saber que você sabia disso. - E piscou. Thur, então, se levantou e rumou até a coxia.
- Vocês acham que é uma boa idéia? - Micael perguntou, olhando para os amigos.
- Deixa eles se entenderem, que mal tem? - Sophia deu de ombros.
- Gente, o que o Pedro tanto fala com a Ully? - Bê olhou para uma mesa não tão longe da deles e eis a cena que se via: Pedro virava o terceiro copo de cerveja direto e Ully esbravejava alguma coisa em seu ouvido.
- Eles são primos, oras. - Mak deu de ombros. - Está todo mundo com os nervos a flor da pele hoje, porque eles estariam outro modo? - E logo puxaram outro assunto, Bê, por outro lado, prestou atenção em Pedro, que passava por eles esbaforido, em direção ao outro lado do palco, e em seguida, Ully, com um ar de irritação. Minutos depois, ouviu-se um barulho alto de tiro, quatro disparos. Todos se assustaram e correram para o lugar donde os disparos vieram: da coxia. Ao chegar, a cena que se procedia era de uma Lua morta, nos braços de um amigo, daquele que ninguém poderia esperar algo do gênero, daquele que ninguém mais viu depois deste dia.

- End Flashback -

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