(Penúltimo Capitulo)
6º Capítulo20/07/2009 - 10h58min
- Kat, estamos com uma testemunha do caso de Lua lá dentro. - Scotty apontou para a sala dos interrogatorios, para a qual rumava.
- Sério? Conseguiu encontrar Aguiar? - Tomou o mesmo rumo de Scotty.
- Não. Estamos com o ex namorado aí. - E entraram. Do outro lado da janela espelhada, estavam Lilly, Pedro, mais grisalho, mais magro, mais abatido, e outra mulher.
- Meu cliente só responderá aquilo que for de sua preferência. Ele sofreu demais com essa história e não possui saúde mental suficiente para suportar a dor de relembrá-la. - A mulher falou ajeitando o cabelo de Pedro em sinal de grande intimidade.
- E você é quem? - Lilly perguntou.
- Eu sou a advogada, psiquiatra, conselheira espiritual e prima de Pedro. - Ela falou, erquendo o nariz em pose de poder. - Estou há 20 anos tentando acalmar o pobre coração partido, tudo graças aquela piranhazinha... -
- Por favor, mantenha o mínimo de respeito. - Lilly a interrompeu. - Eu quero saber da opinião de Pedro, guarde as suas para você. - Ela, então, se virou para o homem problemático e perguntou. - Então, Pedro, o que aconteceu? -
- Ela estava me evitando havia algumas semanas. Estava distante, não retornava minhas ligações, não só minhas, mas de todo o pessoal. Nem Micael sabia o que estava acontecendo com ela. Ela nem olhou para mim antes de subir ao palco. Só olhava para Thur. E a amava tanto. Por que ela me ignorou desse jeito? Eu podia ter resolvido os problemas dela! - Ele olhava para a prima como uma criança. A prima bateu na cabeça dele em sinal de carinho e falou:
- A culpa não foi sua. Todo mundo sabia que ela não prestava... Continua falando com a moça, se você achar que não dá mais, me avisa... -
- Tá... - Ele respirou fundo e voltou a atenção para Lilly. - Depois que ela cantou, ouvi uma conversa de Thur com os meninos e eu fiquei intrigado....
- Flashback -
- Thur, você está bem? - Pedro ouvia a conversa calado, queria saber o que estava acontecendo.
- Não sei. Ela escolheu o Pedro. - Pedro sentiu uma pontada de felicidade e ciúmes ao mesmo tempo. Como assim escolheu? Isso não era uma opção, era Pedro e ponto final. Eles foram feitos um para o outro, ele não imaginava a vida sem Lua ao seu lado, não sabe como agüentou viver até aquele momento. Ela tinha que ser DELE.
- Será que eu devo falar com ela? - Ele olhou para Micael, como quem pedisse permissão.
- Dá um tempo, Thur. Ela saiu do palco tão abalada quanto você. As meninas foram lá falar com ela, quando elas saírem, você vai. - Pedro precisava pensar. Precisava saber o que fazer. Há dias que ele não conseguia se concentrar em nada. Olhou para sua prima, que estava ao seu lado e a viu balançar a cabeça como quem confirmasse algo. Levantaram-se e foram para o bar. Ele precisava de álcool. Depois de cinco cervejas em 10 minutos, ele estava muito tonto, só o que ouvia era a voz de sua prima ecoando na sua cabeça, algo que não conseguia assimilar e entender o que era. Olhou então na direção do palco, ela não calava a boca. Viu Thur entrando na coxia e foi atrás. Escondeu-se atrás de umas caixas de som que se encontravam nos bastidores, a alguns metros entre a saída e eles dois. Conseguiu ouvir toda a conversa entre eles.
- Lu? - Ela olhou na direção da coxia e viu Thur. - A gente precisa conversar.
- Thur... É melhor não. - Ela olhou para o fundo dos bastidores, mas voltou a olhar para Thur. - Eu não tenho mais o que falar. - Ela se levantou e deixou o violão de lado.
- Mas eu tenho. Só não sei se é a hora certa para falar. Eu não quero que você sofra. Vem aqui. - E se abraçaram. Um abraço demorado, Lua apertara o abraço. Thur, chorando, falou: - Olha, pequena, se eu não fui esperto o suficiente para perceber isso antes, não é culpa sua. Eu só quero que saiba que eu sempre vou te amar, e que pra sempre você vai ser a minha pequena, e, em primeiro lugar, minha melhor amiga. - Deu um beijo no topo da cabeça dela e de repente ouviram-se disparos. Thur soltou o abraço, e Lua caiu no chão, baleada. Ele guardou a arma no cós da calça e a abraçou. Pedro sentiu um braço em seu ombro e viu ser sua prima o puxando para fora do bar. Saíram sem serem vistos, Pedro estava atormentado. O amor de sua vida estava ali, morta, pálida, e ainda por cima, nos braços de outro. Ele não podia acreditar. Sua vida não tinha mais significado algum.
- End Flashback-
- Então você VIU Aguiar disparando contra Lua? - Pedro estava tremendo, chorando, extremamente abalado com aquilo tudo. Ele pareceu parar e pensar no que lhe havia sucedido naquela noite, e mais lágrimas lhe rolaram.
- Ele já não falou que viu? Você quer que ele fale mais o que? Ele já não esta abalado demais pro seu gosto? - E então ela o abraçou, para tentar fazê-lo parar de chorar. - Eu também vi, se você ainda não acredita, ou não tem competência para... -
- Olha aqui, garota... -
- Garota não, meu nome é Ully. - Interrompeu Lilly, seca.
- Ully, que seja. Estou tentando fazer meu trabalho. Se você não sabe ser profissional, o problema não é meu, é seu. Então fique quieta ou queira se retirar. -
- Não, ela fica. - Pedro disse, depois de secar as lágrimas. - Sim, eu vi Thur balear Lua. -
- Você viu onde foi parar a quarta bala? - Lilly estava de pé, com as mãos em cima da mesa em sinal de falta de paciência.
- Como eu vou saber? Ele estava abraçado com ela. Ele sacou a arma de muito perto, não deu para ver aonde foi parar, só sei que eu o vi atirando. - Seus olhos voltaram a se encher de lágrimas.
- Você tem noção do que esta afirmando? Você está acusando Arthur Aguiar de assassinato e isto é muito sério. Você tem certeza disso? - Minuto de silêncio. Pedro pareceu pensar em seu conflito interno e então respondeu:
- Tenho. Plena certeza.
7º Capítulo
29/07/09 - 09h56min
- Arhur Aguiar? - Um homem alto, loiro, com um ar de cansaço olhou na direção do detetive Scotty com um ar de interrogação. Ele estava para abrir a porta de casa quando foi chamado.
- Sim... Posso ajudá-lo? -
- Pode sim. O senhor está preso sobre a acusação da morte da menina Lua Blanco, no dia de 6 de julho de 1989. Você prestará depoimento pelo departamento de polícia da Filadélfia e estará preso até que se prove o contrário. Tem o direito de ficar calado, ou o que dirás será usado contra você. - Scotty dizia, enquanto algemava o rapaz. Ele não lutou, não questionou. Parecia conformado.
-x-
Departamento de Polícia da Filadélfia.
- Senhor Arthur Aguiar. Ouvi muito o seu nome esses dias. - Lilly dizia. Thur não falava nada. Apenas olhava para baixo. Por trás do vidro espelhado, estavam os detetives Scotty e Kat, além de algumas pessoas que precisavam ver isso. Entre elas, estavam um irmão magoado, duas amigas tristes e três rapazes amargurados. Todos estavam ali. Todos precisavam estar ali. Precisavam estar ali para apoiar um amigo, mesmo ele não sabendo, mesmo ele não se dando conta. Mas todos precisavam estar ali, todos precisavam ter certeza daquilo que todos concordavam: a inocência de Thur.
- Você não vai falar nada? Por favor, não me vá ser um chorão. Já me basta o outro que mal conseguia falar, precisava de babá e tudo o mais. - Ela revirou os olhos.
- O que você precisa saber? - Ele perguntou, enfim, olhando para ela.
- A verdade. -
-x-
Micael estava inquieto, mal falara com os outros. A cara amarrada, braços cruzados, olhos fixos em Thur, que estava de costas para o vidro. Melanie e Sophia assistiam a tudo abraçadas os outros meninos, todos rezavam para Thur finalmente conseguir a paz dele.
- Eu não tenho tanta certeza de que ele é inocente não. - Scotty falou, olhando para Sophia. - O tal do Pedro deu um depoimento super convincente, onde ele provava e afirmava que viu Thur disparar a arma, que viu o momento em que a menina caiu morta. - E era verdade. Tudo sempre indicou que fora Thur, nem ele se defendia mais. Mas Sophia ainda tinha uma vaga esperança de que alguém conseguisse desfazer isso, seja lá o que fosse.
- Eu tenho certeza de que foi ele. - Micael falou sozinho, ainda com os olhos fixos em Thur.
-x-
- Eu fiquei sabendo de muitas histórias suas, Aguiar. - Lilly estava com um ar tranqüilo. Thur apenas olhava para ela, esperando as perguntas. - Soube que você era o melhor amigo dela. É verdade?
- Sim.
- E, sendo melhor amigo, ela devia ter um carinho especial por você, não?
- Tinha. - Ele respirou fundo. - Nós nos amávamos.
- Não foi isso que me disseram. - Lilly agora andava ao redor da mesa, ela andava de um lado para o outro na sala vazia. - Ela era apaixonada por você, você nunca deu atenção a isso. - Thur abaixou a cabeça. - E ela sempre esteve ali, de braços abertos para você. A primeira vez que você pareceu se der conta disso, ela esteve ali até demais. Se entregou de corpo e alma para você, e o que você fez? A deixou de lado, como se fosse nada. Afinal, ela era sua amiga, a qualquer momento que você precisasse se aliviar, ela estaria ali não é mesmo? - Ela fazia gestos e Thur sentia uma pontada na boca do estômago, como se tomasse um soco.
-x-
- Como assim? Ela esta falando no sentido figurado, né? - Micael se virou para Sophia e Melanie, e elas desviaram o olhar. Micael sentiu o sangue subir. - ESSE FILHO DA PUTA DORMIU COM A MINHA IRMÃ? EU VOU MATÁ-LO!
- Micael, olha o escândalo. Agora, infelizmente, não tem mais o que você fazer, então, guarda o show e para de ser ciumento. Eles se amavam de uma maneira meio fora do comum, mas da maneira deles. Vê se entende isso, cara! - Sophia surtou. Micael se voltou para o espelho, furioso.
-x-
- Então, você voltou para sua vida de garanhão. Deixou de lado a noite que vocês tiveram, os sentimentos da garota, para voltar a ter uma vida vadia.
- Era pressão demais! O que eu tive com ela foi muito intenso, eu nunca tive algo assim antes, eu fiquei com medo!
- Por isso você voltou a procurá-la um tempo depois, seguro de que ela iria lhe aceitar de volta. - Ela agora se debruçou na mesa, chegando o rosto mais perto do dele. Ele estava ficando nervoso.
- Eu senti falta dela. Precisava dela de volta na minha vida, eu a queria para mim. - Ele falava nervoso, como quem se desculpasse de alguma coisa.
- Mas ela estava namorando, um namoro feliz, um namoro de verdade.
- Aquilo não era namoro! Ela não gostava dele tanto assim. Ele a venerava, isso era irritante, até para quem estava de fora!
- Por isso você queria a atenção dela de volta. Você começou a beber, a brigar, a bater nela. Para conseguir atenção, afinal, você sabia que ela nunca iria te julgar.
- Eu nunca levantei um dedo contra ela! E eu não bebia para chamar a atenção dela! Eu tinha vergonha dela me ver daquele jeito. Eu não queria que ela tivesse me visto naquele estado. - Ele agora estava de pé, se defendendo fielmente.
- Mas você, ainda assim, a queria.
- Ela era a mulher da minha vida, eu tinha certeza disso.
- Mas ela estava com um namorado. Estava feliz, estava continuando a vida dela sem você.
- Pedro não era namorado para ela! Ele era problemático! Ele era estranho! Ela sempre se estressava com ele por causa dessa mania de colocá-la sempre em primeiro lugar em tudo!
- E por isso você achou que ela iria escolher você.
- Eu tinha que tentar... -
- Mas ela não escolheu. Ela preferiu o louco, ela preferiu o outro. Isso não te deixou feliz.
- Ela era a garota perfeita para mim. Ela não podia ter escolhido ele. Eu a queria para mim.
- Por isso preferiu a ver morrer a deixá-la viva, com outro.
- Eu não queria... Eu tentei ajudar, ela não sobreviveu. Ela estava fraca... - Thur agora chorava. Suas lágrimas saíam com certo desespero. Assim como as lágrimas das pessoas do outro lado do espelho. Mak abraçou Sophia, que soluçava. Pentéls deu um beijo no topo da cabeça de Melanie, que tampava a boca em sinal de surpresa e Bê bateu no ombro de Micael.
- Por isso você atirou nela. Se ela não podia ser sua, não seria de ninguém.
- Não. Você entendeu errado. Eu não atirei nela. Eu não queria vê-la morta. Eu deveria ter ido no lugar dela... - Ele se embolava nas palavras.
- Como assim?
- Eu era o alvo. Era eu quem deveria estar morto. Ela se meteu na frente, ela quis me proteger, eu sou o culpado dela não estar mais aqui. - Ele escondeu o rosto nas mãos e soltou o corpo na cadeira. Lilly olhou para o espelho e deu de ombros, como se não entendesse.
- O que você quer dizer com isso? Você não disparou?
- Não. Eu já disse que nunca levantaria um dedo para ela, eu podia estar magoado, mas nunca a machucaria...
- Flashback -
- Eu já posso ir? - Thur perguntou, olhando para as meninas. Estava inquieto, precisava conversar com a garota.
- Ela pediu um tempo... - Sophia disse. - Mas acho que ela não precisa saber que você sabia disso. - E piscou. Thur se levantou e rumou para a coxia. Lua estava encolhida, chorando, agarrada do violão. Aquilo partiu seu coração, e Thur sentiu que voltaria a chorar.
- Lu? - Ela olhou em sua direção e seu olhar era pesado, era triste, não havia brilho algum que lembrasse a menina que ela sempre fora. - Ô, pequena, a gente precisa conversar.
- Thur... É melhor não. - Ela olhou para o fundo dos bastidores, mas voltou a olhar para Thur. - Eu não tenho mais o que falar. - Ela se levantou e deixou o violão de lado.
- Mas eu tenho. Só não sei se é a hora certa para falar. Eu não quero que você sofra. Vem aqui. - E se abraçaram. Um abraço demorado, Lua apertara o abraço, era um abraço estranho, parecia um abraço de despedida. Thur tirou isso da cabeça e, chorando, falou: - Olha, pequena, se eu não fui esperto o suficiente para perceber isso antes, não é culpa sua. Você tem a sua vida, e se você quer ficar com ele, eu vou entender, não vou impedir, eu quero é que você seja feliz. Eu só quero que saiba que eu sempre vou te amar, e que pra sempre você vai ser a minha pequena, e em primeiro lugar, minha melhor amiga. - E deu um beijo no topo da cabeça da menina. Ela nada falou, só chorou mais. Quando de repente se ouviu um som de estalo, e eles olharam para o fundo da coxia. O estalo vinha de uma pistola que estava armada na mão de um Pedro choroso, magoado e trêmulo.
- Você está me traindo não está, Lua? Você ama esse daí, você nunca me amou. - Ele tremia, seu olhar era de desespero. Thur puxou Lua para trás de seu braço, tentando se fazer de escudo.
- Olha, Pedro, não é nada do que você esta pensando, cara. Ela quer você, ela ama você. Abaixa essa arma, não faz nenhuma besteira. - Thur começava a tremer. O pânico subiu à sua cabeça e ele lutava para continuar calmo.
- Eu ouvi a música que ela escreveu pra você. Ela nunca escreveu uma musica pra mim, mas pra você ela escreve. Ela nunca me dá tanta atenção quanto dá a você, ela nunca me dá tanto valor quanto dá a você. Fala sério, você acha que eu sou idiota? Eu sei que ela está me traindo, eu sei que ela ama você. - Ele falava extremamente nervoso, mexia com a cabeça como num tique nervoso. Lua estava paralisada pela presença da arma, o pânico tomara conta dela.
- Pedro, baixa essa arma! - Foi só o que ela conseguiu falar.
- Admite! - Pedro gritou com ela. - Admite que você ama mais esse aí do que a mim!
- Esta bem. - Ela se posicionou ao lado de Thur. - Amo. Por muitos anos eu amei a ele. Mas é um amor diferente do que eu sinto por você. Eu te amo, mas não do mesmo jeito que ele. -
- Você o ama mais, né? Pode falar. Você não vai mais amá-lo mesmo... Ele vai estar morto... - Thur engoliu em seco, e Lua arregalou os olhos.
- Pedro, se você atirar nele, você vai para a cadeia. Aí, eu não vou poder amar nem você, nem a ele. Seu tiro vai sair pela culatra, não vai dar certo. - Ela estava começando a chegar para frente, e Thur a segurou.
- Não quero saber. Pelo menos, eu não vou ter que me preocupar com ele. - Ele voltou a apontar a arma para Thur. - Beije-a.
- O quê?
- Beije-a, eu tô mandando. Eu sei que você quer. Eu quero ver. Quero ver o amor que eu não tenho. - Ele voltou a chorar.
- Pedro, isso já tá ficando ridículo. Abaixa essa arma. Não tem necessidade disso.
- Cala a boca! - Ele agora apontou a arma para ela. - Sabe, você não é uma boa namorada. Você me traiu, não me ama, não gosta de ficar comigo... Não sei por que eu te amo tanto assim... Deve ser seu encanto. Você é como uma sereia, sabia? Encantou-me há uns cinco anos, e só agora eu caio na sua rede, e agora é que está realmente começando a doer. - Ninguém entendia o que ele falava, estava nervoso, falava o que lhe vinha a cabeça e não se importava em se fazer entender. Ele mirou Thur novamente. - Foi mal, cara, mas ela é a mulher da MINHA vida. - E disparou. Disparou quatro balas. Sua mão estava tão trêmula que o primeiro tiro foi de raspão pela barriga de Thur, as outras três, Lua se colocou na frente, e, ao invés de acertar Thur, todas acertaram em seu peito. Ao ver o que fez, Pedro ficou parado.
- Lua... Lua! - Thur segurava a menina, que caía já pálida, em seus braços. - Não... Lu... Pequena... - Seus olhos se encheram de lágrimas, o ferimento em sua barriga não foi notado, ele estava mais preocupado com a menina. Olhou para Pedro, e ele já não estava mais lá. Então, olhou para a menina, que, com um último suspiro, abriu um sorriso fraco, e passou a mão no rosto do rapaz.
- Eu te amo. - Sussurrou. E, então, o braço caiu. Seus olhos fecharam e sua cabeça pesou para trás. Thur, ajoelhado, a puxou para mais perto, sujando mais ainda sua roupa de sangue, ele chorava desesperado, quando ouviu um movimento vindo da coxia. Ouviu um grito que parecia ser de Melanie. Mas ele não tirou os olhos da menina. Ele não podia acreditar que o amor da vida dele estava ali, morta, na última tentativa dela de protegê-lo, e ele nunca dera valor a isso.
- End Flashback-
- Por que você não falou isso no seu primeiro depoimento à policia? - Lilly perguntou, depois que Thur havia se acalmado.
- E de que ia adiantar? Eu era culpado. Se eu não tivesse ido procurá-la depois do show, ela ainda estaria viva, se eu tivesse dado valor a ela a tempo, ela ainda estaria viva, se eu não tivesse ido atrás dela, afinal, antes mesmo do show, ela ainda estaria aqui. Então, eu sou o culpado! - Ele fez um momento de silêncio. - Sem falar, que seria um fardo maior para Micael. - Ele olhou para o pé.
- Micael? O que ele tem a ver com isso? -
- Ele a apresentou a esse Pedro. Se ele me odeia por tê-la feito chorar, imagina se soubesse que ELE apresentou a irmã ao seu assassino? - Micael, do outro lado do vidro, se sentiu desolado. O ar lhe faltou, e ele e escorou na parede do fundo. Foi se arrastando até sentar. Ele então começou a chorar. Desesperadamente. Sophia e Melanie se sentaram ao lado dele, na tentativa de amenizar a dor, mas elas mesmas choravam tanto quanto ele.

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